Uma investigação da Controladoria Geral da União (CGU) revelou que diversas Organizações Não-Governamentais (ONGs) no Brasil, incluindo o Instituto Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental em Volta Redonda, receberam emendas parlamentares sem ter a estrutura necessária para executar os serviços para os quais foram contratadas. A deputada Dani Cunha, responsável por repasses que somam R$ 11,5 milhões em 2024 e 2025, está entre os parlamentares citados em irregularidades que comprometem o atendimento a 7.200 mulheres em situação de vulnerabilidade na Baixada Fluminense.
Além das ONGs com sede sem funcionamento efetivo, o levantamento apontou que muitas atuam como intermediárias, recebendo recursos mas sem capacidade técnica ou de pessoal para implementar os projetos. Em um caso similar, o Instituto Future de Juventude, em Fortaleza, recebeu R$ 15,2 milhões em emendas, mas não apresentou atividades concretas durante auditoria, levando a CGU a questionar a destinação dos recursos. A análise destaca que o Rio de Janeiro concentra a maior parte dos repasses, com R$ 951,9 milhões entre 2019 e 2025, evidenciando um padrão preocupante nesse tipo de destinação de verba pública.
Diante das irregularidades, parlamentares e a CGU buscam implementar medidas de transparência e controle mais rigorosas sobre as emendas destinadas a ONGs. Em 2025, uma resolução do Congresso estabeleceu critérios mais claros, como a exigência de sede própria e capacidade de gestão, para a liberação de verbas. Este caso ressalta a importância de assegurar que recursos públicos sejam utilizados de maneira eficiente e que as entidades beneficiadas realmente cumpram seus papéis sociais.

