A alta recente do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, é impulsionada por um influxo significativo de capital estrangeiro, que chegou a quase R$ 9 bilhões apenas em janeiro de 2026. Segundo Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia, essa movimentação é notável especialmente considerando que, no ano anterior, o fluxo total foi de cerca de R$ 26 bilhões. As tensões econômicas entre os Estados Unidos e a Europa estão atraindo investidores, que veem o Brasil como uma alternativa viável.
Pires observa que as dificuldades enfrentadas nas economias norte-americana e europeia têm colocado o Brasil em evidência, à medida que esses investidores buscam oportunidades em mercados que não se valorizaram tanto. Ele destaca que, se a situação política nos Estados Unidos se agravar, especialmente com a figura de Donald Trump, o fluxo de investimento poderá aumentar ainda mais. Essa dinâmica reflete um cenário em que o capital internacional busca diversificação em meio a incertezas globais.
Entretanto, o professor alerta que a possibilidade de alcançar R$ 10 bilhões em um único mês é um evento raro e quase sem precedentes. A maior parte desse crescimento está sendo percebida entre investidores estrangeiros, enquanto os investidores locais estão se afastando do mercado de ações em favor da renda fixa. Com isso, há uma expectativa de que o ritmo de entrada de capital estrangeiro possa esfriar, evidenciando os limites do apetite global por investimentos.

