O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva afirma que as recentes intervenções dos Estados Unidos na Venezuela, junto às ameaças de Donald Trump a países como Colômbia e Groenlândia, podem beneficiar as ações da Rússia na Ucrânia. Segundo ele, a atenção dos EUA voltada para o hemisfério ocidental possibilita que a Rússia avance militarmente sem a pressão direta de Washington. Com isso, a situação geopolítica se torna ainda mais complexa para a Europa, que já enfrenta desafios relacionados à guerra na Ucrânia.
O especialista observa que a estratégia de segurança nacional dos EUA reafirma a proeminência de Washington no Hemisfério Ocidental, um movimento que foi interpretado como uma resposta a adversários como a China. No entanto, esse foco pode estar custando à Ucrânia, que já enfrenta a ocupação de 20% a 25% de seu território pelas tropas russas. As ambições de Trump em relação à Groenlândia e outras regiões elevam a tensão, colocando a Europa em uma posição vulnerável.
Teixeira da Silva destaca que as vitórias russas, frequentemente não noticiadas, indicam um cenário de desgaste para a Ucrânia, que continua a lutar por sua soberania. Enquanto isso, o analista militar Robinson Farinazzo alerta que a OTAN pode não estar preparada para enfrentar as novas ameaças, especialmente com armamentos sofisticados como o míssil hipersônico Oreshnik. A guerra na Ucrânia pode se prolongar, levando a uma reconfiguração das alianças globais e a um aumento da incerteza no cenário internacional.

