Flechas envenenadas de 60 mil anos revelam estratégias de caça antigas

Bruno de Oliveira
Tempo: 2 min.

Um conjunto de flechas envenenadas, datado de 60 mil anos, foi encontrado na formação de Umhlatuzana, na província de KwaZulu-Natal, África do Sul. Pesquisadores reexaminaram esses artefatos e descobriram resíduos de buphanidrina e epibuphanisina, substâncias tóxicas provenientes da planta Boophone disticha. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, revela que os humanos daquela época possuíam um raciocínio avançado e estratégias de caça complexas.

Essa descoberta indica um uso intencional de venenos, reforçando a ideia de que os primeiros caçadores tinham um conhecimento profundo sobre o comportamento de suas presas e a ecologia local. As flechas, projetadas para liberar venenos na corrente sanguínea dos animais, representam um salto significativo na complexidade das ferramentas utilizadas pelos humanos primitivos. Essa inovação marca uma transição de armas pesadas para métodos mais sofisticados de caça, sugerindo um avanço na cognição humana.

Os achados impactam a compreensão da evolução do comportamento humano, evidenciando que a manipulação de toxinas vegetais data de um período muito anterior ao que se acreditava. A pesquisa ressalta que o uso de venenos na caça não era apenas uma questão de sobrevivência, mas também uma demonstração de planejamento e estratégia. Essa evolução no uso de tecnologia de caça pode ser vista como um precursor de práticas mais complexas que se desenvolveriam ao longo da história.

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