O filme ‘Silence and Cry’, dirigido por Miklós Jancsó, se configura como um psicodrama bizarro ambientado após a queda da república soviética húngara de 1919. Lançado em 1968, a obra entrelaça elementos de trauma pós-guerra com nuances eróticas, apresentando uma crítica à brutalidade das potências anti-comunistas. A narrativa se desenrola nas vastas planícies da Hungria, criando um cenário que se estende até o horizonte, onde os personagens atuam como se estivessem em um enorme palco.
Jancsó utiliza uma abordagem cinematográfica distintiva, com movimentos de câmera sinuosos e longas tomadas contínuas, que dão vida ao ambiente desolador e onírico do filme. As entradas e saídas dos personagens são não convencionais, fazendo-os parecer que vêm de longe e desaparecem lentamente no vazio. A obra é marcada por uma atmosfera absurda, reminiscentes dos pesadelos de Kafka, que traz à tona a complexidade do trauma psicológico.
As implicações do filme vão além de uma simples narrativa, refletindo um eco da história política da Hungria e da repressão soviética. A crítica à brutalidade do passado se torna uma reflexão sobre a condição humana, levando o espectador a ponderar sobre os efeitos duradouros do trauma e da repressão. ‘Silence and Cry’ se destaca como uma exploração artística profunda e perturbadora da história e da psique húngara.

