Recentemente, agricultores na França bloquearam estradas em protesto contra um acordo comercial iminente da União Europeia com o Mercosur, um bloco composto por países da América do Sul. O pacto, que foi negociado ao longo de 25 anos, gerou insatisfação entre os trabalhadores rurais, que se sentem traídos pelos políticos que não defendem o acordo. A situação ocorre em um momento em que a UE busca fortalecer sua posição em um cenário global dominado pelo protecionismo comercial dos Estados Unidos.
O descontentamento dos agricultores não se limita ao impacto econômico do acordo, mas também se conecta a uma crescente onda de euroscepticismo que tem fortalecido a extrema direita na França. A líder do partido de extrema direita, Marine Le Pen, está aproveitando a raiva rural para angariar apoio, o que poderia resultar em uma vitória eleitoral significativa para seu partido. A perda do apoio da França, um dos membros fundadores da UE, poderia ter consequências graves para a estabilidade a longo prazo da União Europeia.
Se a extrema direita conquistar o poder, a França poderá se afastar da integração europeia, o que seria mais prejudicial do que qualquer benefício econômico obtido através do acordo com o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A capacidade da UE de estabelecer parcerias comerciais em regiões-chave pode ser comprometida, influenciando o equilíbrio político e econômico no continente. O futuro da política agrícola e da unidade europeia está, portanto, em jogo.

