Empresários brasileiros no setor de exportação enfrentam um cenário desafiador nas relações comerciais com a Venezuela, exigindo pagamentos antecipados devido à desconfiança em relação ao regime político do país vizinho. Apesar da prisão de Nicolás Maduro em Nova York, a expectativa é de que a situação do comércio bilateral permaneça estável no curto prazo, uma vez que as exportações já apresentavam uma tendência de queda antes desse evento.
A crise socioeconômica e as políticas restritivas do governo venezuelano têm contribuído para a deterioração do poder de compra da população, dificultando as transações comerciais. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 838 milhões de dólares para a Venezuela, enquanto as importações totalizaram 349 milhões. O consultor Welber Barral destaca que a relação comercial entre os dois países não apresenta dependência significativa, e a retomada do comércio pode levar até dois anos.
A incerteza no mercado venezuelano é exacerbada pela dívida soberana do país com o Brasil, que se aproxima dos 2 bilhões de dólares, resultando de financiamentos não ressarcidos para projetos de infraestrutura. Assim, os exportadores brasileiros estão adotando medidas cautelares para mitigar riscos, como a exigência de pagamento à vista, refletindo um ambiente comercial marcado por desconfiança e dificuldades financeiras.

