Um estudo recente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indica que a substituição da produção automotiva completa pela montagem de kits importados poderá resultar na perda de 69 mil empregos diretos no Brasil. Além disso, a pesquisa aponta que 227 mil postos indiretos na cadeia produtiva também estão em risco devido a essa mudança. O relatório sugere que a ampliação dos regimes CKD e SKD impactará significativamente não apenas o emprego, mas também a indústria de autopeças e as exportações do país.
O estudo cita perdas econômicas potenciais de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças, com uma redução de cerca de R$ 26 bilhões na arrecadação tributária em um único ano. As exportações de veículos poderiam sofrer uma queda de R$ 42 bilhões, afetando negativamente a balança comercial brasileira. A Anfavea, liderada por seu presidente Igor Calvet, expressou preocupações sobre a continuidade de incentivos que podem favorecer a simples montagem em detrimento do desenvolvimento de uma indústria robusta e competitiva.
Com a iminência do término da cota de isenção de Imposto de Importação, a Anfavea intensificou a pressão sobre o governo federal para não renovar essa medida. Calvet afirma que a indústria tradicional, que já se estabeleceu no Brasil, está pronta para competir, desde que as condições sejam justas. Em um manifesto, a Anfavea reafirma sua posição contra a isenção, argumentando que soluções simplificadas não promovem um setor forte e sustentável a longo prazo, e que a concorrência deve ser equilibrada para garantir a sobrevivência da indústria local.

