As escolas de samba do Rio de Janeiro, com suas ricas tradições, celebram a contagem regressiva para os 100 anos de desfiles, marcados para 2028. Os estudiosos Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato, em seu livro ‘Pra tudo começar na quinta-feira’, exploram a etimologia da palavra ‘enredo’ e sua relevância na narrativa das escolas. Os enredos, que surgem da necessidade de capturar a atenção do público, são apresentados como formas de contar histórias que muitas vezes não são abordadas pela história oficial do Brasil.
O livro argumenta que os enredos das escolas de samba servem como uma ferramenta pedagógica, permitindo que a população aprenda sobre figuras e eventos historicamente negligenciados. As narrativas criadas durante os desfiles promovem uma contranarrativa, trazendo à tona temas significativos como a cultura negra e a luta por direitos. A pesquisa em torno dos enredos também evoluiu, com o envolvimento de carnavalescos e pesquisadores que colaboram na criação das sinopses, refletindo a complexidade do processo criativo.
Com a aproximação do centenário, o papel dos enredos se torna ainda mais crucial, pois eles não apenas entretêm, mas também educam e inspiram. A conexão emocional que os enredos estabelecem com a comunidade é fundamental para o sucesso dos desfiles. Assim, os enredos se consolidam como uma linguagem artística única, capaz de iluminar aspectos da história brasileira que permanecem à sombra.

