O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma alta de 0,20% em janeiro de 2026, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, analistas acreditam que esse número não será suficiente para convencer o Comitê de Política Monetária (Copom) a antecipar cortes na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
O economista Jason Vieira, da Lev Intelligence, destacou que o núcleo da inflação continua a ser uma preocupação, mesmo com a queda pontual de preços, como o recuo de 9% nos preços das passagens aéreas. A expectativa é que a inflação subjacente permaneça elevada, e a taxa de difusão da inflação, que mede quantos itens aumentaram de preço, encerrou a quinzena em 63%, um sinal de que a pressão inflacionária ainda persiste.
Com a inflação acumulada em 4,5% nos últimos doze meses, que se aproxima do teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), o mercado projeta que o Copom deve iniciar cortes na Selic apenas em março. Para os próximos meses, economistas, como Julio Barro do banco Daycoval, alertam que a desaceleração dos preços de alimentos pode ser temporária, o que reforça a cautela em relação à política monetária futura.

