A partir de 1º de janeiro, a China passou a aplicar cotas e tarifas adicionais sobre a importação de carne bovina, uma ação avaliada como complexa e difícil. Segundo a especialista Larissa Wachholz, da Vallya Agro, essa decisão foi motivada por pressões internas de produtores e autoridades provinciais, e não deve ser interpretada como um ataque direto ao Brasil, que é o principal fornecedor desse produto ao mercado chinês.
A medida estabelece cotas específicas por país e uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem esses limites, válidas até 31 de dezembro de 2028. O Brasil, com uma cota inicial de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas, verá um impacto negativo em suas exportações quando comparadas aos números de 2025. A especialista ressalta que essa ação reflete uma acomodação de interesses dentro da China, com foco na proteção dos produtores locais, especialmente em províncias que dependem mais da produção interna.
Larissa sugere que o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China poderia ser uma estratégia eficaz para lidar com essa nova realidade. Ela defende a importância de investimentos cruzados, que permitiriam à carne brasileira se adaptar melhor às preferências dos consumidores chineses. Apesar das dificuldades, a especialista acredita que a relação bilateral não será severamente comprometida, uma vez que tanto o Brasil quanto outros exportadores enfrentarão as mesmas regras.

