O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares desde 1982, com um total de US$ 33,3 bilhões, conforme dados do Banco Central divulgados no dia 7 de janeiro de 2026. Este fluxo cambial negativo é superado apenas pelo registrado em 2019, quando a saída atingiu US$ 44,7 bilhões. Apesar desse resultado, o real se valorizou durante o ano, sustentado por altas taxas de juros e uma queda generalizada do dólar no mercado internacional.
O desempenho negativo foi principalmente atribuído ao canal financeiro, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,5 bilhões, a segunda mais alta da série histórica. Esse canal inclui investimentos estrangeiros e remessas de lucros, entre outras operações financeiras. O canal comercial, por sua vez, teve uma entrada líquida de US$ 49,2 bilhões, mas não foi suficiente para compensar a evasão no canal financeiro, refletindo um aumento significativo nas importações que alcançaram US$ 238 bilhões.
As implicações desse fluxo cambial negativo indicam um cenário desafiador para a economia brasileira, especialmente em relação à balança comercial. Com a expectativa de tributação sobre remessas internacionais a partir de janeiro de 2026, as empresas aceleraram o envio de dividendos ao exterior em dezembro, contribuindo para o resultado negativo. O Banco Central, por sua vez, manteve uma intervenção limitada no mercado de câmbio, realizando apenas algumas operações de venda de dólares, o que destaca a complexidade do cenário econômico atual.

