Brasil registra forte saída de dólares, mas real se valoriza em 2025

Gustavo Henrique Lima
Tempo: 2 min.

Em 2025, o Brasil enfrentou a segunda maior saída líquida de dólares da sua história, com um total de US$ 33,316 bilhões, segundo dados preliminares do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (7). O fluxo cambial negativo foi superado apenas pela saída registrada em 2019, que somou US$ 44,768 bilhões. Apesar deste cenário preocupante, o real se valorizou durante o ano, sustentado por altas taxas de juros internas e pela desvalorização do dólar no exterior.

O canal financeiro foi o grande responsável por essa evasão, acumulando uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões, enquanto o canal comercial teve um saldo positivo de US$ 49,151 bilhões, o que não foi suficiente para equilibrar o fluxo total. As importações cresceram, atingindo US$ 238 bilhões, refletindo uma demanda interna robusta. Ao mesmo tempo, as exportações somaram US$ 287,5 bilhões, mas não foram suficientes para mitigar o impacto da fuga de capital.

Em dezembro, o fluxo cambial foi negativo em US$ 13,562 bilhões, um valor inferior ao mesmo mês do ano anterior. Esse resultado é atribuído à antecipação de remessas ao exterior, especialmente para pagamento de dividendos, antes do fim da isenção do imposto de renda sobre essas remessas, que passará a ser tributada em 2026. Assim, o Banco Central teve um papel limitado nas intervenções cambiais, utilizando um mecanismo conhecido como ‘casadão’ para equilibrar a situação sem impactar diretamente a taxa de câmbio.

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