Ativistas da página Samba Abstrato questionam o uso de fantasias que incorporam estéticas afro, como o ‘blackface de cabelo’, por foliões brancos durante o carnaval. Essa prática, que retira a autenticidade e a dignidade da cultura negra, é considerada uma forma de racismo que perpetua estereótipos e marginaliza a presença de pessoas negras na festa. A crítica se amplia, apontando que a escolha de mulheres brancas como passistas contribui para o apagamento da identidade negra no carnaval.
Com uma abordagem cômica e provocativa, a Samba Abstrato busca chamar a atenção para a apropriação indevida da estética afro e suas implicações sociais. O professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, da Unesp, destaca que essa situação reflete um aniquilamento cultural e social da população negra, que luta por reconhecimento e igualdade. A campanha do Ministério da Igualdade Racial, lançada recentemente, visa educar sobre práticas racistas e combater a discriminação durante a festividade.
O Ministério da Igualdade Racial anunciou a distribuição de materiais educativos durante o carnaval, visando coibir fantasias que ofendem a cultura negra. O secretário Tiago Santana enfatiza que o carnaval deve superar estereótipos e que não há espaço para fantasias que ridicularizem identidades. A ação não apenas busca proteger a cultura negra, mas também incitar uma reflexão coletiva sobre o papel da estética na luta antirracista.

