Ativistas alertam para o racismo em fantasias de carnaval

Fernando Alcântara Mendonça
Tempo: 2 min.

Ativistas da página na internet Samba Abstrato levantam preocupações sobre o uso de ‘blackface de cabelo’ no carnaval, onde foliões brancos adotam penteados afro como parte de suas fantasias. Essa prática, considerada racista, é comparada a outras fantasias que ridicularizam identidades raciais, como a de ‘nega maluca’. O movimento, que atua há quase dez anos, busca conscientizar o público sobre a importância de respeitar a estética e cultura negra durante as festividades.

A diretoria da Samba Abstrato critica a escolha de mulheres brancas como passistas, afirmando que essa prática marginaliza as mulheres negras que, historicamente, enfrentam discriminação e preconceito. O professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, da Unesp, destaca que essa questão está ligada a um processo de ‘aniquilamento social e cultural’ da população negra, que se reflete na estrutura do carnaval e na representação de sua cultura. Para ele, é essencial promover uma luta contínua contra o racismo e a misoginia.

Como parte de um esforço para combater essas questões, o Ministério da Igualdade Racial lançou a campanha ‘Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais’, que visa educar o público sobre práticas racistas e incentivar denúncias. A campanha pretende promover uma mudança de mentalidade nas festividades, sublinhando que a cultura negra não deve ser tratada como objeto de brincadeira ou caricatura. A iniciativa é um passo importante para garantir que o carnaval seja um espaço de celebração inclusiva e respeitosa.

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