Na manhã desta quinta-feira, 8 de janeiro, agricultores franceses realizaram protestos em Paris, bloqueando ruas e avenidas em locais icônicos como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel. A mobilização acontece em meio às discussões sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja votação no Parlamento Europeu está prevista para amanhã, 9 de janeiro. Os manifestantes, liderados pelo sindicato Coordenação Rural, expressam preocupação com a abertura do mercado europeu para produtos agrícolas sul-americanos, temendo a concorrência desleal com a produção local.
Os protestos, que incluíram a presença de tratores, resultaram em congestionamentos significativos nas principais vias que levam à capital francesa, incluindo a A13, e foram apoiados por membros da Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores. A oposição ao acordo é uma questão delicada para o governo de Emmanuel Macron, que já enfrenta desafios políticos e pressões de grupos de agricultores. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, reafirmou a posição contrária à assinatura do tratado, enquanto a ministra da Agricultura, Annie Genevard, declarou que a luta contra o acordo continuará no Parlamento Europeu, mesmo que este seja aprovado.
A França tem sido uma forte opositora do acordo UE-Mercosul e, apesar de ter conquistado algumas concessões, a questão continua a ser um ponto de tensão política. A resistência ao pacto pode ter implicações significativas nas próximas eleições municipais e na Assembleia Nacional, onde Macron já não possui maioria. O desdobramento dessa situação poderá influenciar as negociações no Parlamento Europeu e moldar a política agrícola da França em um contexto de crescente pressão populista e eleitoral.

