A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode aumentar o acesso do Brasil ao mercado global de importações de bens, passando de 8% para 36%. Esse acordo, assinado em Assunção, Paraguai, permitirá que mais de cinco mil produtos brasileiros ingressem na UE sem tarifas, beneficiando 82,7% das exportações do Brasil para o bloco em 2024.
Os dados da CNI indicam que, enquanto o Brasil terá até 15 anos para reduzir tarifas em 4,4 mil itens, a maior parte dos produtos será isenta de impostos desde o início da vigência do acordo. Contudo, especialistas apontam um possível desequilíbrio, uma vez que os interesses da UE podem favorecer suas indústrias em detrimento das brasileiras, especialmente em setores agrícolas e industriais. Isso levanta preocupações sobre a sustentabilidade e a competitividade da indústria local.
Além disso, o acordo pode exacerbar questões ambientais, uma vez que o aumento das exportações de produtos agrícolas pode contribuir para o desmatamento na América do Sul. Observadores alertam que o Mercosul pode ser relegado ao papel de fornecedor de bens pouco processados, enquanto as indústrias locais enfrentam uma concorrência acirrada. A implementação do acordo depende agora da ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos dos países do Mercosul.

