Produções de streaming e a glamourização do crime: um debate ético

Gustavo Henrique Lima
Tempo: 2 min.

A glamourização do crime em produções de streaming tem gerado intensos debates, especialmente em relação à forma como plataformas retratam atividades criminosas. Séries como ‘Narcos’ e ‘La Casa de Papel’ apresentam protagonistas carismáticos em narrativas que frequentemente ignoram as consequências de ações moralmente questionáveis. Essa representação pode influenciar a percepção da criminalidade, especialmente entre os jovens, que podem ver esses personagens como figuras admiradas.

Estudos apontam que a exposição constante a tais personagens reduz a percepção de risco e normaliza comportamentos ilegais. Apesar de algumas produções abordarem as consequências do crime, a linha entre retratar e glorificar o crime é frequentemente tênue. A indústria do entretenimento reconhece que o crime gera tensão e emoção, o que aumenta o engajamento do público, mas isso levanta questões éticas sobre a responsabilidade social das plataformas de streaming.

A série sobre um caso criminal notório, como o de Elize Matsunaga, exemplifica essa tendência ao apresentar uma narrativa que mistura realidade e espetáculo. Embora a glamourização do crime não seja uma novidade, sua intensificação em 2025 destaca a necessidade de um debate mais amplo sobre a ética na mídia. Em um cenário onde a linha entre o crime e o entretenimento se torna cada vez mais difusa, é essencial refletir sobre os impactos culturais e sociais dessas representações.

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