Jaques Wagner, líder do governo no Senado, revelou nesta quarta-feira um acordo de procedimento que visa acelerar a tramitação do PL da Dosimetria, após a ministra Gleisi Hoffmann ter negado previamente a existência de qualquer negociação. A declaração ocorreu durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde Wagner admitiu ter solicitado a votação do projeto para facilitar a agenda econômica do governo, mesmo com a oposição do seu próprio partido ao mérito do texto.
Wagner esclareceu que sua articulação não envolveu concessões sobre o conteúdo do projeto, mas apenas buscou garantir o prosseguimento da tramitação. Ele também afirmou que não consultou o presidente Lula ou Gleisi Hoffmann antes de tomar essa decisão, assumindo a responsabilidade pelas consequências políticas. A ministra, por sua vez, reiterou a posição contrária do governo ao projeto, argumentando que ele favorece aqueles que atentaram contra a democracia.
O desdobramento desta situação é significativo, uma vez que o PL da Dosimetria pode ter implicações profundas no sistema judicial brasileiro, especialmente em relação a crimes políticos. Wagner expressou preocupações sobre a possibilidade de a lei incentivar novas ações antidemocráticas, ao oferecer progressões de pena mais rápidas para crimes relacionados. A polarização em torno do projeto reflete as tensões existentes no cenário político, com potenciais repercussões nas votações futuras.

