O governo federal está considerando ajustes no programa Crédito do Trabalhador, que, desde seu lançamento em março, já movimentou 30 bilhões de reais e alcançou mais de 4,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Apesar do sucesso inicial, com um aumento significativo no número de concessões, a recente elevação da taxa média de juros gerou preocupações sobre a sustentabilidade do programa e o endividamento dos beneficiários.
Nos últimos meses, o custo efetivo do crédito aumentou, passando de 2,60% para 3,89% ao mês. Essa situação acende um alerta sobre a possibilidade de os trabalhadores enfrentarem dificuldades financeiras semelhantes às que foram observadas em programas de consignado anteriores, especialmente no INSS, onde refinanciamentos representam uma parcela considerável do total. A área econômica do governo está avaliando possíveis regulamentações para mitigar esses riscos e proteger os tomadores de crédito.
Entre as alternativas em discussão está a implementação de um limite para o custo total da dívida, seguindo o modelo da regra do rotativo do cartão de crédito. Essa medida, já prevista na Lei nº 14.690/2023, visa impedir que juros e encargos excedam 100% do valor originalmente contratado. Com essas possíveis mudanças, o governo busca equilibrar a expansão do crédito com a proteção dos trabalhadores em um cenário de alta nas taxas de juros.

