No julgamento da ADPF 973, a Suprema Corte brasileira alcançou um marco, ao reconhecer que a população negra sofre violação de direitos fundamentais. No entanto, a Corte se dividiu ao rejeitar a tese do Estado de Coisas Inconstitucional, mesmo com a maioria dos ministros admitindo a existência de racismo estrutural no Brasil.
O voto da ministra Cármen Lúcia destacou a persistência da exclusão racial e a necessidade de políticas eficazes para combater as desigualdades. Apesar de alguns ministros, como Luiz Fux e Flávio Dino, defenderem a urgência de um plano nacional de enfrentamento ao racismo, a maioria da Corte argumentou que as políticas atuais já seriam suficientes, ignorando a realidade das violações sociais e econômicas enfrentadas pela população negra.
O julgamento será retomado em uma nova data, mas já se observa um avanço no reconhecimento das violações históricas. Contudo, a discordância sobre a profundidade das reparações necessárias revela a complexidade da questão racial no Brasil. A Corte, ao admitir as desigualdades, enfrenta agora a pressão para que suas declarações se traduzam em ações concretas e efetivas contra o racismo institucional.

