O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, gerando descontentamento entre representantes de diversos setores produtivos, como indústria, comércio e construção civil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a política monetária, afirmando que os juros elevados sufocam a atividade econômica e afastam o Brasil de uma tendência internacional de redução das taxas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a manutenção dessa taxa é prejudicial e pode comprometer o mercado de trabalho e o bem-estar da população.
O setor da construção civil também manifestou sua preocupação, com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alertando que os altos juros encarecem o crédito imobiliário e inibem novos projetos. A CBIC revisou sua projeção de crescimento para 2025, reduzindo-a de 2,3% para 1,3%, refletindo os efeitos adversos do ciclo prolongado de juros altos. Além disso, pesquisas indicam que a maioria das empresas industriais vê os juros como um dos principais obstáculos para o acesso ao crédito.
Centrais sindicais criticaram a decisão do Banco Central, ressaltando que cada ponto percentual de aumento na Selic pode elevar significativamente os gastos públicos com juros da dívida. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) afirmou que os altos juros desviam recursos que poderiam ser aplicados em saúde e educação, enquanto a Força Sindical denunciou uma política de juros extorsivos. A Associação Comercial de São Paulo, por sua vez, reconheceu que a manutenção da Selic é justificada por um cenário inflacionário complexo, mas também ressalta os desafios que isso impõe para o crescimento econômico.

