Setores produtivos criticam manutenção da Selic em 15% ao ano

Camila Pires
Tempo: 2 min.

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou reações negativas entre representantes da indústria, comércio e construção civil. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa política monetária é considerada excessivamente contracionista, sufocando a atividade econômica e isolando o Brasil em um contexto global em que muitos países já iniciaram ciclos de redução de juros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a Selic elevada traz custos desnecessários, afetando o mercado de trabalho e o bem-estar da população. Além disso, uma pesquisa da CNI indica que 80% das empresas industriais veem os juros altos como o principal obstáculo ao crédito. O setor da construção civil também expressou suas preocupações, com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) afirmando que juros altos encarecem o crédito imobiliário e inviabilizam novos projetos.

As centrais sindicais também criticaram a manutenção da Selic, apontando que cada ponto percentual elevado aumenta significativamente os gastos públicos com juros da dívida. O cenário é descrito por alguns como uma “era dos juros extorsivos”, que compromete o consumo e a renda das famílias. Apesar das críticas, a Associação Comercial de São Paulo defende que a decisão do Banco Central é uma resposta necessária a um cenário de inflação ainda acima da meta, justificando a cautela monetária.

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