A polícia da Itália desmantelou um esquema de emissão de atestados de residência falsos em Moggio Udinese, onde 84 brasileiros teriam conseguido documentos irregulares para obter a cidadania italiana. A operação ocorreu em 26 de novembro de 2025, em um município próximo à fronteira com a Áustria, e revelou que os envolvidos cobravam cerca de 6 mil euros por cliente. A fraude implicou a participação de funcionários da prefeitura local, levando à denúncia de seis pessoas, incluindo um brasileiro e uma albanesa.
Segundo as investigações, os atestados falsos permitiram que os brasileiros se declarassem moradores de Moggio Udinese, embora nunca tivessem residido na cidade. Esse esquema se tornou atraente em meio ao endurecimento da legislação de cidadania na Itália, que recentemente restringiu o reconhecimento da cidadania pelo chamado “direito de sangue”. A nova lei, aprovada em maio, limita o benefício a filhos e netos de italianos nascidos no exterior, complicando o processo para descendentes que buscam a cidadania.
As novas regras estabelecem que apenas aqueles cujos pais ou avós mantêm exclusivamente a cidadania italiana podem solicitar o reconhecimento. Além disso, o pedido só é aceito se os pais residiram na Itália por pelo menos dois anos consecutivos antes do nascimento do filho. Esse endurecimento legal está sendo contestado judicialmente, e o desdobramento da operação policial pode influenciar a percepção pública sobre a cidadania e a imigração italiana.

