O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o atual governo promoveu o maior ajuste fiscal dos últimos trinta anos, destacando um ajuste de 1,7 ponto percentual do PIB para 2023 e 2024. Entretanto, essa afirmação ignora a influência de um pagamento de aproximadamente 90 bilhões de reais em precatórios, que distorce a comparação com anos anteriores. Na realidade, o resultado foi um superávit modesto de apenas 0,5% do PIB em 2022, mostrando uma piora de 0,8% em 2023.
A alegação de um ajuste fiscal significativo contrasta com a deterioração das contas federais, impulsionada por um aumento da despesa pública que não é acompanhado por um crescimento nas receitas. A dívida pública, que já superou 78% do PIB, deve continuar a subir, indicando um cenário financeiro preocupante. Além disso, o Projeto de Lei Orçamentária para 2026 não apresenta perspectivas otimistas, prevendo um déficit de cerca de 23 bilhões de reais, conforme apontam os dados da equipe econômica.
As promessas de um superávit primário em 2026 são vistas com ceticismo, especialmente considerando que o governo pode manipular os números para se adequar às metas fiscais. A falta de transparência nas informações financeiras gera desconfiança e reflete uma abordagem que despreza a inteligência do público. O que deveria ser uma questão de responsabilidade fiscal transformou-se em uma série de promessas não cumpridas, levantando questões sobre a credibilidade do governo e suas políticas econômicas.

