A Moody’s decidiu manter a classificação estável do rating soberano do Brasil, o que afasta o risco de rebaixamento no curto prazo. Contudo, esse cenário deixa o país a um passo do grau de investimento, conforme analisado pelo especialista em finanças, Hulisses Dias. O aumento dos gastos públicos e a persistência dos juros altos são fatores que limitam as perspectivas econômicas do país.
Dias apontou que a decisão da agência reflete um quadro preocupante, onde a inflação elevada e os altos juros criam um desalinhamento entre as políticas fiscal e monetária. Essa situação atrasa o retorno do Brasil ao grau de investimento, mesmo em um contexto internacional mais favorável. A dívida pública, que já chega a R$ 9 trilhões, cresce anualmente devido aos custos com juros, dificultando o acesso a crédito mais barato.
Apesar das dificuldades, o mercado acionário brasileiro apresenta desempenho robusto, com a Bolsa superando os 159 mil pontos. Entretanto, Dias alerta que essa performance é desconectada da economia real, onde pequenos negócios enfrentam desafios devido aos altos juros. O especialista ressalta a importância de distinguir entre a dinâmica do mercado financeiro e a realidade econômica, especialmente em ano eleitoral, quando a tendência é de expansão dos gastos sociais.

