Fóssil de 3,4 milhões de anos revela nova espécie de hominídeo na Etiópia

Rodrigo Fonseca
Tempo: 2 min.

Em 2009, uma equipe de pesquisadores escavou a região de Woranso-Mille, na Depressão de Afar, Etiópia, e encontrou um fóssil de pé de 3,4 milhões de anos, conhecido como ‘Pé de Burtele’. Após mais de uma década de estudos, os cientistas conseguiram associar esse fóssil à espécie Australopithecus deyiremeda, sugerindo que diferentes hominídeos coexistiram na região durante o período. A descoberta foi publicada na revista Nature, contribuindo para o entendimento da evolução humana.

O Pé de Burtele apresenta características anatômicas únicas, como um dedão oponível, que sugere uma locomoção adaptada à escalada, ao contrário do pé do Australopithecus afarensis, popularmente conhecido como Lucy. A pesquisa revelou que, apesar das diferenças morfológicas, ambas as espécies possuíam dietas distintas, permitindo que vivessem lado a lado sem competir diretamente por recursos alimentares. Esses achados foram complementados por novos fósseis, como dentes e mandíbulas, que ajudaram a confirmar a associação entre os hominídeos.

As implicações dessas descobertas são significativas, pois ampliam a compreensão sobre a diversidade de hominídeos que coexistiram e suas adaptações ao ambiente. Os pesquisadores destacam que o estudo do passado pode ser valioso para compreender a dinâmica ecológica atual e as interações entre espécies. Além disso, a identificação de diferenças nos modos de locomoção e alimentação entre Australopithecus deyiremeda e outros hominídeos pode oferecer insights sobre a evolução do bipedalismo e suas variadas formas.

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