Especialistas das áreas de neurologia, psiquiatria e medicina do sono publicaram um consenso sobre o uso do zolpidem, um sedativo-hipnótico indicado para insônia. O documento, capitaneado pela Academia Brasileira de Neurologia e divulgado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, aponta o uso crescente dessa classe de medicamentos como um problema de saúde pública. O zolpidem é o terceiro hipnótico mais vendido no Brasil, atrás de clonazepam e alprazolam, com um aumento de 139% nas vendas entre 2014 e 2021.
O aumento no consumo de zolpidem está associado a fatores como a pandemia, que elevou os diagnósticos de transtornos mentais, e a facilidade de prescrições digitais. Especialistas ressaltam que a venda irregular do medicamento é um problema em ascensão, com muitos pacientes utilizando-o sem supervisão médica. A Anvisa implementou controle mais rigoroso sobre a venda do fármaco, exigindo receita azul, o que, segundo especialistas, ajudou a conter o problema.
Embora o zolpidem continue sendo eficaz para insônia aguda, seu uso crônico é desaconselhado devido ao risco de dependência e efeitos colaterais graves. As diretrizes sugerem que a terapia cognitivo-comportamental deve ser a primeira linha de tratamento, complementada por práticas de higiene do sono. Com a conscientização e regulamentação adequadas, é possível mitigar os riscos associados ao uso desse medicamento.

