Creatina: da musculação a promessas de melhora cognitiva

Bruno de Oliveira
Tempo: 2 min.

A creatina, tradicionalmente reconhecida por seus benefícios na hipertrofia muscular, está sendo reavaliada à luz de novas pesquisas que sugerem seu potencial impacto no desempenho cognitivo. Um estudo recente publicado em 2024 na revista Scientific Reports indicou que a creatina pode promover melhorias modestas em tarefas cognitivas em indivíduos privados de sono. Essa mudança de foco em suas aplicações gera tanto interesse quanto controvérsias na comunidade científica.

O nutrólogo Diogo Toledo, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que a creatina pode ajudar a fornecer energia rápida ao cérebro, similar ao seu efeito nos músculos. No entanto, especialistas como Igor Eckert alertam que, apesar da atratividade da ideia de um suplemento que melhora a função cerebral, as evidências ainda são incipientes e muitas vezes inconclusivas. A maioria dos estudos realizados apresenta limitações significativas, como amostras pequenas e condições experimentais extremas.

Diante desse cenário, os pesquisadores ressaltam a necessidade de estudos mais robustos para comprovar a eficácia da creatina na melhoria do desempenho mental. Enquanto isso, a substância continua a ser uma opção valiosa para atletas em busca de ganhos físicos, mas não deve ser vista como uma solução para problemas cognitivos sem evidências mais concretas que sustentem tais alegações. O entusiasmo atual em torno da creatina como um potencial ‘tônico cerebral’ deve ser tratado com cautela.

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