Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, está promovendo a tramitação de um projeto que visa implementar o voto distrital misto nas eleições de 2030, com o objetivo de combater a influência do crime organizado nas campanhas eleitorais. Essa proposta, que já tramita desde 2017, ganhou novo impulso após uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou em um elevado número de mortes e intensificou o debate sobre a necessidade de mudanças no sistema eleitoral brasileiro.
O voto distrital misto combina elementos dos sistemas proporcional e majoritário, permitindo que parte dos parlamentares seja eleita diretamente pelos eleitores, enquanto outra parte seria escolhida por meio dos partidos. Especialistas como Otávio Catelano e Tathiana Chicarino argumentam que essa mudança, embora busque fortalecer a ligação entre representantes e seus distritos, pode ainda gerar confusão e complicar a representação política, dividindo os parlamentares em categorias com incentivos distintos.
Os desdobramentos dessa proposta ainda são incertos, mas as implicações podem incluir uma maior personalização do voto, potencialmente favorecendo candidatos polêmicos e diminuindo o poder dos partidos como instituições mediadoras. O debate sobre o voto distrital misto reflete uma preocupação mais ampla com a qualidade da representação política e a renovação dentro do sistema democrático brasileiro, que permanece em evidência entre especialistas e a sociedade civil.

