O Brasil registra um aumento alarmante no trabalho infantil, com 1,65 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos envolvidos, conforme dados de 2023. Este crescimento de 2% em relação ao ano anterior levanta preocupações sobre a evasão escolar, especialmente entre adolescentes, que frequentemente precisam deixar a escola para trabalhar. Katerina Volcov, secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, ressalta que a educação é comprometida, impactando o futuro dessas crianças.
As estatísticas oficiais não refletem a totalidade do problema, já que muitas crianças, incluindo influenciadores digitais e aqueles envolvidos em atividades ilícitas, não são contabilizadas. Volcov critica a falta de distinção entre o trabalho de influenciadores mirins e trabalho infantil artístico, indicando que as novas formas de trabalho exigem atenção legislativa. A recente omissão da legislação em incluir essas atividades na proteção das crianças é um alerta sobre a necessidade de atualização das leis e políticas públicas.
A erradicação do trabalho infantil no Brasil está longe de ser alcançada, especialmente com o prazo estabelecido pela ONU se aproximando. A falta de fiscalização e a descontinuidade de programas sociais são barreiras significativas para o combate ao problema. A especialista enfatiza a urgência de um debate profundo sobre as novas modalidades de trabalho infantil e a necessidade de um plano eficaz que envolva todas as esferas do governo e da sociedade.

