A média de espera por um transplante de córnea no Brasil atingiu 374 dias, mais que o dobro dos 174 dias registrados há dez anos. O dado foi apresentado durante o 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Curitiba (PR), e reflete informações do Sistema Nacional de Transplantes entre 2015 e 2024. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) alerta que a tendência de crescimento da fila deve se manter, com os primeiros meses de 2024 já apresentando um tempo médio de espera de 369 dias.
O CBO atribui essa situação a diversos fatores, como a falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos e o represamento de pacientes devido à pandemia de covid-19. Além disso, o conselho destaca a necessidade de adaptação dos bancos de olhos às novas exigências legais e aos custos crescentes dos insumos. Em contraste, alguns estados, como Ceará e Santa Catarina, apresentam tempos de espera significativamente menores, enquanto outros, como Rio de Janeiro, enfrentam filas que ultrapassam mil dias.
Embora a situação atual exija atenção, o CBO considera que o Brasil ainda se destaca positivamente em comparação internacional, com um desempenho compatível ao de países como Canadá e Austrália. Até julho de 2025, o país contava com 31.240 pessoas na fila para transplante, sendo São Paulo o estado com maior demanda. A prevalência de pacientes idosos e jovens na lista reflete tanto o envelhecimento da população quanto o aumento das doenças degenerativas da córnea.