A seca no Alto Solimões, no interior do Amazonas, tem forçado moradores de comunidades ribeirinhas a caminhar longas distâncias para alcançar o Rio Solimões. Em localidades como a comunidade Pesqueira, no município de Benjamin Constant, o trajeto pode chegar a 15 km por áreas de várzea com lama e vegetação densa. A mudança na rotina das famílias começou em maio de 2025, com o início da estiagem, e já afeta mais de 60 comunidades na região.
Os impactos da seca são severos, especialmente em Benjamin Constant, que já havia enfrentado uma cheia extrema no primeiro semestre de 2025. Moradores relatam dificuldades para transportar alimentos e produtos cultivados, sendo obrigados a abrir trilhas no mururuzal para manter o acesso ao rio. O pescador Luiz Manoel e outros residentes expressam suas preocupações sobre a situação e pedem apoio da prefeitura para o envio de triciclos, que poderiam facilitar o transporte durante este período crítico.
Em resposta à crise, a Prefeitura de Benjamin Constant anunciou a criação de um comitê de crise e a aquisição de 15 triciclos para atender as comunidades mais afetadas. A Defesa Civil do Amazonas também divulgou que a seca deve impactar entre 20 e 30 municípios, afetando cerca de 480 mil pessoas. Com o envio de ajuda humanitária já em andamento, as autoridades buscam mitigar os efeitos da estiagem na região.