Nos últimos seis anos, o número de punições ético-disciplinares contra advogados no Rio Grande do Sul aumentou em 30%, conforme levantamento inédito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As suspensões cresceram 35% e as exclusões dos registros aumentaram 27%. Vítimas como Pedro da Silva, de Gravataí, relatam perdas financeiras significativas e a quebra de confiança em seus advogados, que deveriam protegê-los.
Entre os casos mais emblemáticos está o da advogada Alessandra Rodrigues, acusada de cobrar valores indevidos e apresentar recibos falsos durante um processo de separação. A investigação da Polícia Civil aponta que ela teria feito 170 cobranças indevidas, totalizando R$ 670 mil. Outro advogado, Marcos Leal, é suspeito de apropriar-se de indenizações de precatórios, incluindo R$ 96 mil de um idoso com Alzheimer. Ambos enfrentam denúncias graves e tiveram seus registros suspensos pela OAB.
O presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, destaca que o aumento nas punições reflete tanto o crescimento das denúncias quanto a agilidade nos julgamentos do Tribunal de Ética. Ele afirma que a OAB ampliou sua estrutura para garantir que os processos sejam tratados com celeridade, sempre respeitando o devido processo legal. A situação levanta preocupações sobre a ética na advocacia e a proteção dos direitos dos clientes.