O sistema de pagamentos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, tornou-se o centro das atenções durante um encontro entre autoridades e empresários brasileiros e mexicanos, realizado na Cidade do México em 27 de agosto. Embora a missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin tivesse como foco principal a ampliação das exportações brasileiras, a digitalização financeira emergiu como um tema relevante, com o Pix sendo amplamente discutido entre executivos e representantes do setor público. Durante o fórum empresarial promovido pela ApexBrasil, autoridades mexicanas expressaram interesse em entender como o sistema brasileiro, que movimenta trilhões de reais anualmente, poderia ser adaptado às necessidades do México.
O interesse pelo Pix ganhou força após uma reunião entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o chanceler mexicano, Juan Ramón de la Fuente, onde foi assinado um memorando de entendimento para promover a cooperação bilateral no desenvolvimento de sistemas de pagamento digital. A iniciativa visa consolidar uma troca contínua de experiências entre os dois países, focando em inclusão financeira e soberania digital, alinhando-se à agenda de transformação tecnológica da nova presidente do México, Claudia Sheinbaum. No entanto, a expansão do Pix também gera desconforto nos Estados Unidos, que expressaram preocupações sobre a influência estatal do sistema e seu impacto na liberdade econômica.
A adoção do Pix por países como México e Argentina reflete uma busca por soluções tecnológicas regionais que reduzam a dependência de intermediários financeiros tradicionais. O memorando entre Brasil e México pode abrir portas para testes de interoperabilidade, permitindo transações instantâneas entre os dois países, algo inédito na América Latina. Essa evolução destaca o crescente peso geopolítico do Brasil no cenário internacional e suas implicações para as relações com os EUA.