A Petrobras concluiu um simulado de perfuração na Foz do Amazonas, considerado o último passo antes da concessão da licença ambiental. O exercício mobilizou mais de 400 profissionais, embarcações e aeronaves, com a sonda posicionada em águas profundas do Amapá. Para a empresa, trata-se de uma vitória operacional, enquanto o Ibama inicia a análise técnica que determinará se o plano de emergência é suficiente para liberar a exploração.
Apesar do avanço, o debate sobre a exploração na região se intensifica. A Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), que deveria mapear riscos e ordenar a exploração na Margem Equatorial, nunca foi concluída. Isso gera insegurança regulatória e vulnerabilidade jurídica, levando Ministério Público, sociedade civil e técnicos do Ibama a questionarem a validade de um licenciamento sem essa base sólida.
Os riscos ambientais são significativos, considerando que a região abriga recifes de corais e comunidades tradicionais ameaçadas. Às vésperas da COP30, a possível licença representa um dilema para o Brasil: ser visto como líder em transição energética ou arriscar sua credibilidade internacional ao abrir espaço para um novo polo fóssil na Amazônia Azul. O Ibama ainda não definiu prazo para a decisão, mas o que está em jogo vai além de um parecer técnico.