Promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmam que o Brasil se tornou um paraíso fiscal para criminosos devido à proliferação de fintechs que oferecem o serviço de ‘conta bolsão’. Essa modalidade, que concentra o dinheiro de vários clientes em uma única conta, dificulta a aplicação de bloqueios judiciais e é promovida como uma vantagem em relação ao sistema bancário tradicional. A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto, investiga um esquema bilionário no setor de combustíveis, revelando a utilização de pelo menos 40 fundos de investimento para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
De acordo com as investigações do grupo especializado em combate ao crime organizado (Gaeco), a fraude começou com a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, desviando o produto para postos de combustíveis. A operação abrangeu oito estados e resultou em mais de 350 mandados de busca e apreensão. Os promotores destacam que a falta de obrigações de transparência das fintechs permite que o crime organizado se infiltre no sistema financeiro, tornando-se cada vez mais complexo e difícil de rastrear.
As implicações dessa operação são significativas, pois evidenciam a necessidade urgente de uma regulamentação mais rigorosa para as fintechs. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, alertou sobre o processo de bancarização do crime organizado, ressaltando que a falta de controle sobre as transações financeiras pode comprometer a integridade do sistema financeiro nacional. A situação exige uma resposta coordenada das autoridades para combater a criminalidade e proteger os cidadãos brasileiros.