Três grandes operações deflagradas nesta quinta-feira (28) colocaram o setor de combustíveis e o crime organizado no centro das atenções, revelando um esquema bilionário de fraudes com participação direta do PCC (Primeiro Comando da Capital). Somadas, as três operações resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados do País. As investigações apontam que os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões.
A principal ofensiva do dia foi a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Gaeco, que focou em um esquema de fraudes na cadeia de combustíveis envolvendo adulteração de produtos e importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá. O MPSP revelou que a facção criminosa controla redes de postos em São Paulo e Goiás, movimentando mais de R$ 70 bilhões entre 2020 e 2024, com prejuízos em sonegação de impostos estimados em R$ 7,6 bilhões.
As operações têm implicações significativas para o mercado financeiro, uma vez que parte do dinheiro ilícito chegou a fundos de investimento por meio de fintechs que atuavam como “bancos paralelos”. A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, busca desarticular essa complexa rede criminosa, que não apenas lesava consumidores, mas também ameaçava a integridade do sistema financeiro nacional.