A fabricante de carros de luxo Lotus, controlada por investidores chineses, anunciou na quinta-feira (28) que cortará até 550 empregos no Reino Unido, representando mais de 40% de sua força de trabalho local. A decisão é em parte uma resposta às incertezas geradas pelas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que têm afetado a indústria automotiva global. A montadora destacou que essa reestruturação é necessária para assegurar um futuro sustentável em meio a um cenário de rápidas transformações e mudanças nas políticas comerciais internacionais.
Com sede em Hethel, no leste da Inglaterra, a Lotus pertence majoritariamente à gigante chinesa Geely e possui várias instalações de produção no Reino Unido, além de uma fábrica em Wuhan, na China. As montadoras têm sido severamente impactadas pela ofensiva tarifária de Trump, que busca trazer a produção de veículos de volta aos Estados Unidos. Apesar de um acordo comercial entre o Reino Unido e os EUA que reduziu tarifas sobre veículos britânicos, as taxas ainda permanecem elevadas em comparação com os níveis anteriores às novas políticas tarifárias.
As exportações de veículos britânicos para os EUA mostraram sinais de recuperação em julho, após meses de declínio, com a implementação do acordo comercial em 30 de junho. No entanto, as demissões na Lotus refletem os desafios contínuos enfrentados pela indústria automotiva diante das incertezas econômicas e políticas globais. A situação levanta preocupações sobre o futuro da produção automotiva no Reino Unido e suas implicações para o mercado de trabalho local.