O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quinta-feira (28) que o crime organizado no Brasil passou a atuar com intensidade na economia formal, utilizando mecanismos legais para ampliar lucros e lavar dinheiro. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa sobre a operação Carbono Oculto, considerada a maior ação contra facções na economia legal, que mira mais de 350 alvos suspeitos de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em dez estados, com apoio de órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal.
Lewandowski destacou que a migração da criminalidade organizada da ilegalidade para a legalidade é um fenômeno em crescimento, exigindo uma resposta mais integrada do Estado. Ele argumentou que a estratégia de combate às facções deve ir além da repressão policial tradicional, envolvendo também órgãos fiscais e instituições financeiras para um compartilhamento eficaz de dados e coordenação de ações. “Uma operação desta envergadura só pode ser levada a cabo pelo governo do Brasil”, afirmou o ministro.
Além disso, Lewandowski defendeu a aprovação da PEC da Segurança, que visa institucionalizar a cooperação entre forças policiais e órgãos de inteligência. Ele ressaltou que a operação Carbono Oculto exemplifica o que pode ser alcançado com uma abordagem colaborativa e focada no núcleo financeiro do crime. O ministro concluiu que é essencial transformar esse esforço em uma prática contínua do Estado brasileiro.