O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou seis frigoríficos por adquirirem gado oriundo de áreas de desmatamento ilegal na Amazônia, durante a terceira fase da Operação Carne Fria, realizada em agosto de 2025. A operação resultou na apreensão de 7.061 cabeças de gado, avaliadas em R$ 30 milhões, e multas totalizando R$ 49 milhões aos proprietários das propriedades envolvidas. A prática de lavagem de gado, que visa burlar a fiscalização, foi identificada como um dos principais mecanismos utilizados para inserir carne de origem ilícita no mercado.
As equipes do Ibama inspecionaram 16 frigoríficos, dos quais seis foram autuados em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado provenientes de propriedades interditadas por desmatamento ilegal. Além disso, foram fiscalizados 20 imóveis rurais em municípios do Pará, como São Félix do Xingu e Pacajá, onde foram identificados mais de 2,1 mil hectares de floresta suprimida ilegalmente. Os proprietários dessas áreas foram autuados em R$ 22 milhões e notificados a retirar o gado das áreas embargadas no prazo de 30 dias.
O Ibama ressaltou que a produção, venda ou compra de animais oriundos de áreas interditadas configura crime ambiental. As irregularidades detectadas foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), que poderá abrir ações civis e criminais contra os responsáveis. Com mais de 170 autuações e R$ 640 milhões em multas aplicadas nas três fases da Operação Carne Fria, o Ibama busca combater não apenas o desmatamento ilegal, mas também os mecanismos que permitem a inserção de carne ilícita no mercado.