A Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais centros financeiros de São Paulo, foi o cenário da Operação Carbono Oculto, realizada em 28 de setembro de 2023. Esta operação, considerada a maior contra o crime organizado no Brasil, mobilizou cerca de 1.400 agentes da Polícia Federal, Receita Federal e outras instituições, resultando em 200 mandados de busca e apreensão e 14 prisões em oito estados. As investigações focaram em empresas como a Reag Investimentos e a BK Bank, suspeitas de facilitar a lavagem de dinheiro do PCC, que movimentava recursos oriundos do tráfico de drogas e fraudes no setor de combustíveis.
A Faria Lima, que homenageia o ex-prefeito José Vicente de Faria Lima, transformou-se ao longo das décadas em um ícone do lifestyle corporativo e um polo de negócios. Desde a aprovação da Operação Urbana Faria Lima em 1995, a região atraiu investimentos e se consolidou como um dos endereços mais caros do Brasil, reunindo sedes de bancos, fintechs e startups. Contudo, a recente operação expôs a presença de organizações criminosas infiltradas no setor financeiro, revelando que pelo menos 40 fundos de investimento estavam sob controle do PCC.
As implicações da Operação Carbono Oculto são profundas, uma vez que o governo anunciou que fintechs passarão a ser reguladas como instituições financeiras tradicionais. Essa mudança busca aumentar a transparência e combater a lavagem de dinheiro, refletindo a necessidade urgente de fortalecer as estruturas regulatórias do sistema financeiro. Assim, a Faria Lima se torna um símbolo da dualidade entre inovação econômica e os desafios impostos pelo crime organizado.