Nesta quinta-feira (28), familiares de 63 vítimas da ditadura militar brasileira receberam atestados de óbito corrigidos, que reconhecem a morte violenta causada pelo Estado no contexto da repressão política. A cerimônia, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que enfatizou o simbolismo do ato e a importância do reconhecimento das atrocidades cometidas durante o regime militar. Evaristo destacou que a retificação dos documentos é parte de um processo de cura social e um passo necessário para a defesa da democracia e dos direitos humanos no país.
Durante o evento, a presidente da comissão de mortos e desaparecidos políticos, Eugênia Gonzaga, lembrou que muitas vítimas tiveram suas mortes registradas com causas falsas, como suicídio ou acidentes. A cerimônia também foi marcada pela presença da ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, que compartilhou sua dor pessoal ao lembrar do cunhado desaparecido. Os familiares expressaram que, embora os atestados cheguem tarde para muitos, representam um reconhecimento essencial da luta por justiça e memória.
O evento não apenas reconheceu as vítimas, mas também reforçou a importância de continuar a luta pelos direitos humanos no Brasil. A militante Diva Santana, que perdeu uma irmã durante a repressão, enfatizou que a juventude deve se mobilizar para defender a soberania do país e manter viva a memória das atrocidades cometidas. Assim, a entrega dos atestados de óbito corrigidos se torna um marco na busca por justiça e na preservação da memória histórica do Brasil.