A reforma tributária em curso no Brasil promete simplificar o sistema de impostos sobre consumo, mas pode ter efeitos adversos para pequenas e médias empresas que operam sob o Simples Nacional. Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mais de 70% dessas empresas atuam no modelo B2B, ou seja, não vendem diretamente ao consumidor final, o que as torna suscetíveis a uma perda de competitividade diante das novas regras que entrarão em vigor a partir de 2026.
O estudo intitulado “Raio-X do Simples Nacional em 2025” destaca que setores como confecção, logística e tecnologia estão entre os mais ameaçados pela reforma tributária. Carlos Pinto, diretor do IBPT, explica que a nova lógica de créditos tributários pode prejudicar as empresas do Simples em comparação com aquelas que operam sob os regimes de Lucro Real ou Presumido. A mudança nas regras de crédito de PIS e Cofins pode fazer com que essas pequenas empresas se tornem menos atrativas para grandes contratantes.
Embora a transição para o novo sistema se estenda até 2033, os efeitos podem ser sentidos antes disso, especialmente se as empresas não se adaptarem rapidamente. O diretor do IBPT ressalta a importância de uma assessoria especializada para ajudar essas empresas a se reposicionarem no mercado e a mobilização do setor para conscientizar os empresários sobre os riscos envolvidos. A preparação é crucial para que as pequenas empresas não percam espaço competitivo nos próximos anos.