No estado do Pará, mulheres ribeirinhas sofrem com o escalpelamento, um acidente em que o couro cabeludo é arrancado por motores de barco. Desde a década de 1960, foram contabilizadas 483 ocorrências, com a maioria das vítimas sendo mulheres, incluindo crianças e adolescentes. A situação é alarmante, especialmente em um estado que se prepara para receber líderes mundiais na Conferência da ONU sobre o Clima (COP 30).
O escalpelamento tem suas raízes na falta de proteção nos motores das embarcações, e a maioria das vítimas enfrenta não apenas as sequelas físicas, mas também um estigma social que as culpa pelo acidente. Desde 2010, o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento busca aumentar a conscientização e melhorar a fiscalização sobre os motores de barcos. Apesar disso, muitos casos permanecem subnotificados devido à dificuldade de registro.
As consequências do escalpelamento vão além das lesões físicas; as vítimas frequentemente enfrentam desafios emocionais e psicológicos significativos. A mobilização entre as vítimas tem crescido, com esforços para reivindicar direitos e melhorar o atendimento médico. No entanto, a luta contra a culpabilização e o preconceito ainda é um obstáculo a ser superado para garantir que essas mulheres recebam o apoio necessário.