O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, declarou que a desinformação acerca da fiscalização do Pix contribuiu para o fortalecimento do crime organizado no Brasil. Em nota, o órgão destacou que grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm utilizado fintechs para ocultar e lavar dinheiro, aproveitando-se de lacunas na regulamentação. As operações da Polícia Federal, deflagradas recentemente, expuseram um esquema bilionário que se infiltrou na cadeia produtiva de combustíveis e no mercado financeiro, com ramificações até na Avenida Faria Lima, em São Paulo.
A Receita Federal havia publicado uma instrução normativa em setembro do ano passado, que entraria em vigor em janeiro de 2025, mas a comunicação falha gerou um clima de pânico entre a população. A narrativa de uma possível taxação do Pix levou muitos a desconfiar do sistema financeiro oficial e a acreditar em fraudes, facilitando a ação de golpistas. Apesar dos esforços do governo para esclarecer a situação, a desinformação prevaleceu e resultou na suspensão do ato normativo após apenas quinze dias.
As implicações dessa situação são profundas, pois a desconfiança gerada pela fake news não apenas prejudicou a implementação de novas regulamentações, mas também permitiu que o crime organizado se beneficiasse das brechas existentes no sistema financeiro. Especialistas alertam que, embora a regulamentação das fintechs tenha promovido maior inclusão financeira, sua falta de supervisão adequada facilitou a lavagem de dinheiro. Assim, as autoridades enfrentam o desafio de equilibrar inovação e segurança no setor financeiro.