A Câmara dos Deputados suspendeu a votação da polêmica Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da blindagem nesta quinta-feira (28), em razão da falta de acordo entre os partidos. A proposta, que buscava impedir investigações de senadores e deputados sem autorização prévia do Congresso, foi criticada por diversos líderes, incluindo o presidente do MDB, Baleia Rossi, que se opôs à ideia de blindagem, e o líder do PT, Lindbergh Farias, que considerou a proposta um retrocesso democrático.
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, também recuou em seu apoio à PEC, afirmando que o partido não priorizaria mais a proposta. A discussão sobre a blindagem ressurgiu após um motim de parlamentares em agosto, mas não houve consenso entre os líderes na Câmara para avançar com a votação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, que desejava votar a PEC imediatamente, foi forçado a desistir diante da falta de apoio.
A PEC da blindagem gerou críticas de associações da sociedade civil, que alertaram para os riscos à democracia brasileira. A proposta previa que denúncias ou condenações criminais contra parlamentares necessitariam do voto de dois terços do Supremo Tribunal Federal para serem aceitas, além de restringir a prisão de membros do Congresso. O impasse atual evidencia a complexidade das relações políticas e a resistência a mudanças que poderiam afetar a responsabilização dos representantes eleitos.