Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas destacam que o sistema previdenciário global atual é baseado em modelos do século XIX, que não refletem a realidade demográfica contemporânea. O Japão, por exemplo, registrou em 2024 apenas 686.061 nascimentos, o menor número desde 1899, contrastando com 1,6 milhão de mortes no mesmo período. Essa queda populacional levanta preocupações sobre o envelhecimento da população e suas consequências econômicas e sociais.
Ricardo Caichiolo, professor de relações internacionais do Ibmec, enfatiza que o envelhecimento populacional é uma tendência consolidada na Europa e que países como a China enfrentam desafios semelhantes devido a políticas de controle populacional. Ele alerta que a diminuição da força de trabalho jovem pode limitar o crescimento econômico e a capacidade de inovação desses países. Por outro lado, países africanos, com um bônus demográfico crescente, têm a oportunidade de se tornarem motores de crescimento econômico se investirem adequadamente em saúde e educação.
Silvia Lilian Ferro, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), critica a aplicação de um modelo previdenciário europeu em contextos como o da América Latina, onde a informalidade laboral é alta. Ela ressalta que o Brasil possui uma população jovem significativa, mas enfrenta dificuldades em inseri-la no mercado de trabalho, o que pode levar à perda do bônus demográfico. A discussão sobre imigração também é relevante, pois levanta questões sobre identidade nacional e acesso a serviços públicos nos Estados Unidos e na Europa.