O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, declarou nesta quinta-feira (31) que o país europeu "será obrigado a responder" caso Israel avance com seus planos de anexação da Cisjordânia ocupada. A afirmação ocorre antes de sua viagem a Israel e à Palestina e representa a advertência mais contundente da Alemanha ao governo de Benjamin Netanyahu desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023.
Wadephul destacou que, junto a outros países europeus, a Alemanha está disposta a reconhecer um Estado palestino, mesmo sem negociações prévias, em resposta às ameaças de anexação. Essa declaração reflete um movimento crescente dentro do G7, onde França, Reino Unido e Canadá também manifestaram apoio ao reconhecimento da Palestina após as ameaças israelenses de anexação de territórios ocupados.
O chanceler alemão enfatizou que o processo de paz está em uma "encruzilhada" e que a única saída diplomática para o conflito é por meio de negociações que visem a criação de uma solução de dois Estados. A coalizão governamental de Netanyahu, composta por partidos ultranacionalistas e religiosos, defende a reimplantação de assentamentos judaicos e o controle total da Faixa de Gaza, enquanto a crise humanitária em Gaza se agrava, com relatos alarmantes de mortes por fome e desnutrição.
A posição da Alemanha representa uma mudança significativa em sua postura tradicional em relação a Israel, frequentemente influenciada por seu histórico com o Holocausto. Ao adotar um tom mais firme, a Alemanha se alinha a outros países europeus que consideram o impasse atual insustentável e exigem ações concretas para reiniciar o processo de paz no Oriente Médio. Wadephul concluiu: "As discussões para uma solução de dois Estados devem começar agora."