O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (28) que a expectativa é de que a aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos acelere as negociações. “[A lei] é um instrumento importante, necessário”, disse Alckmin, enfatizando que o Brasil não se baseará em exemplos de outros países que enfrentaram sobretaxas, como a China. O vice-presidente também mencionou que ainda não há conversas agendadas com os EUA para discutir tarifas.
O governo federal iniciou o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os EUA, em resposta ao tarifaço que impactou produtos brasileiros exportados. O Ministério das Relações Exteriores enviou um comunicado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), que terá 30 dias para avaliar a viabilidade da aplicação da lei. A notificação oficial ao governo americano ocorrerá nesta sexta-feira (29), com a expectativa de abrir um canal de diálogo sobre o tema.
A medida de sobretaxa sobre produtos brasileiros foi anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em agosto, vinculada a investigações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo brasileiro já planeja alternativas para mitigar os efeitos do tarifaço, incluindo a suspensão de direitos de propriedade intelectual em setores estratégicos como óleo e gás e farmacêutico. O pacote de medidas anunciado inclui prorrogação de prazos para pagamentos de impostos e programas de compras públicas para apoiar os setores afetados.